Disjecta Membra (do latim , membros dispersos) - Compoe de uma livro dividido em três partes - Sete Sonetos de Amor e Morte e O Homem e Sua Hora .
Os poemas que compõem a primeira parte são: Mensagem - Brasão - Noturno - Vigília -Legenda
- Romance - Vida toda linguagem - Estrela roxa - Alma que foste minha - Solilóquio - Mito - Sinto que
o mês presente me assassina e Heceldama. À exceção de Romance (em redondilha maior), há o
predomínio do verso decassílabo, trabalhado pelo poeta com uma grande variedade rítmica, utilizandose
de formas livres na composição poética .
Integram a segunda parte: O mundo que venci deu-me um amor - Nam Sibyllam - Inferno,
eterno inverno, quero dar - Agonistes - Onde paira a canção recomeçada - Ego de Mona Kateudo -
Estava lá Aquiles, que me abraçava. Os sonetos são estruturados à maneira inglesa (quatorze versos
sem a divisão estrófica). Dos sete, quatro seguem a tradição renascentista de ter como título o
primeiro verso do poema.
A última parte contém o poema que dá título ao livro. Nele, temos a concretização dos anseios
poéticos do autor expostos na primeira e segunda partes. O texto possui 235 versos (na maioria
decassílabos), com forte carga de intertextualidade, visitando a poética passada e presente para
concretizar sua "renovação da poesia".
Primeira Parte - Disjecta Membra
MENSAGEM
Em marcha, heróico, alado pé de verso,
busca-me o gral onde sangrei meus deuses;
conta às suas relíquias, ontem de ouro,
hoje de obscura cinza, pó de tempo,
que ele os venera ainda, o jogral verde
que outrora celebrou seus milagres mais fecundos.
Dize a eles que vinham
tecer silentes minha eternidade
que a lava antiga é pura cal agora
e queima-lhes incenso, e rouba-me farrapos
de seus mantos desertos de oferendas
onde possa chorar meu disfarce ferido.
Dize a eles que tombam
como chuvas de sêmen sobre campos de sal
sem mancha, mas terríveis
que desçam sobre a urna deste olvido
e engendrem rosas rubras
do estrume em que tornei seus dons de trigo e vinho.
Segue, elegia, busca-me nos portos
e nas praias de Antanho, e nas rochas de Algures
os deuses que afoguei no mar absurdo
de um casto sacrifício.
Apanha estas palavras do chão túmido
onde as deixo cair, findo o dilúvio:
forma delas um palco, um absoluto
onde possa dançar de novo, nu
contra o peso do mundo e a pureza dos anjos,
até que a lucidez venha construir
um tempo justo, exato, onde cantemos.
Fonte: http://www.procampus.com.br/vestibular/resumos/homem_e_sua_hora.pdf
Disjecta Membra
quarta-feira, 7 de dezembro de 1977
Escrito por Ailton Nunes às quarta-feira, dezembro 07, 1977
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