Tracy

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Todos os dias penso nela
Na pessoa que me fez o que sou
Na luz que me deu
E de tudo que eu precisava.
Acho que falei pouco isso
Não falei da importância que ela tem na minha vida
De todas as rosas que dei até hoje (não foram muitas)
Nem um milhão delas será o suficiênte
Para dizer o tanto que a amo.
Me fez crescer, me fez chorar e me fez rir.
Ela que toma banho de chuva comigo,
Faz almoço de domingo,
Que nunca está ocupada pra mim,
Rogo sua felicidade e seus desejos.
No dia de Nossa Senhora,
Esse dia de sua vinda
Que foi permitido ser Fátima
Que foi permitido ser mãe
Quero dizer que te amo
E que tenho orgulho de falar,
Que vc é minha mãe.

Sedecim Quintilis

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Foi nesse dia, como escrito em latim, que aprendi
O mais ardente beijo que ganhei.
A mais afável sensação experimentei.
Nos olhos, a ternura simples de menina.
Os calos de labuta, pouco se via.
O humor contagiante, impossível de deixar alguém parado sem rir.
De sentir esse momento após meses sem alento.
Agora vejo uma nova oportunidade surgir.
De todas que planejei, foi essa, sem data, que veio.
Ainda bem! Já estava exausto.
Farto do cansaço, de dias sem saber exatamente o que sentir.
De regar momentos sem ver nada brotar.
Este é o despertar... de novas possibilidades.
De resgatar planos não findados
E me deixar entregar ao presente divino que me foi dado.

Estou Disposto...

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Estou disposto a mudar, ser um pouco melhor,
Trocar meus hábitos e ser mais presente na vida.
Estou disposto a te amar e, a cada dia, dizer "te amo",
Nas manhãs de chuva, quando nada tenho a fazer, dizer: Amo você!
Estou disposto a tudo, a mudar o mundo...
Fazer minha parte e ser parte de algo que faça a diferença.
Estou mesmo disposto a ver novos dias
E deixar o passado onde ele deve estar.
Disposto a ser feliz e a fazer feliz aqueles que amo,
Nos pequenos momentos, nas palavras e em cada olhar.
Ver algumas flores e pensar sempre no seu nome.
E pensar somente nas coisas boas, sem compromisso.
Sem propriedade para críticas,
Sem sequer pensar no amanhã.
Estou mesmo disposto,
Na manhã de sol ou na noite gelada,
Sempre tendo em mente que sou grato por tudo que tenho,
Mesmo com as frustrações que tive.
Estou disposto a não dizer nada que doa a ninguém,
Apenas quando alguém precisar ouvir uma verdade
Que a torne melhor do que sou e para que juntos possamos crescer.
Aos bons estou disposto, ao sentimento de renovação,
Aos tempos que me curam das mazelas,
Às pessoas que conheci recentemente
E que, de forma incrível, fazem diferença.
Sou eu! O disposto.
Até nas menores diferenças, estarei pronto para conquistar.

Distração

terça-feira, 6 de julho de 2010

Se você não se distrai, o amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade
Se você não se distrai, a estrela não cai
O elevador não chega
E as horas não passam
O dia não nasce, a lua não cresce
A paixão vira peste
O abraço, armadilha
Hoje eu vou brincar de ser criança
E nessa dança, quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Se você não se distrai,
Não descobre uma nova trilha
Não dá um passeio
Não rí de você mesmo
A vida fica mais dura
O tempo passa doendo
E qualquer trovão mete medo
Se você está sempre temendo
A fúria da tempestade
Hoje eu vou brincar de ser criança
E nessa dança, quero encontrar você
Distraído, querido
Perdido em muitos sorrisos
Sem nenhuma razão de ser
Olhando o céu, chutando lata
E assoviando Beatles na praça
Olhando o céu, chutando lata
Hoje eu quero encontrar você

(Christiaan Oyens e Zélia Duncan)





As vezes passamos por momentos complicados e difíceis. Mas muitas vezes criamos nossos próprios problemas, na nossa cabeça ou na cabeça dos outros. Últimamente, eu estava me sentindo muito cansado, triste e sem graça das coisas que estou fazendo. Não estava, estou ainda, mas minha irmã (Rose) me mostrou essa musica da Zélia e me fez pensar um pouco. Me distrair é necessário, parar de pensar muito, pois não está me levando a nada, só a loucura de que algo tem que acontecer na vida para melhorar. E o primeiro passo que faço para me distrair agora é ouvir essa musica e tentar não pensar em nada.

Todo Dia

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Me esqueço de mais um pedacinho dela.
Quando eu era criança, ficava deitado na cama tentando imaginar como me sentiria depois que ela morresse.
Mas agora está ficando cada vez mais difícil lembrar como ela era.
Tento me lembrar dela em todos os detalhes - mas por quê?
Do que tenho mais saudade é da sensação da presença dela...
Já faz muitos anos que sonho que vagueio pela casa, procurando por ela, mas não consigo encontrá-la.
Não sei por que é tão difícil para mim...
Há gente que viu os pais sendo assassinados.
Que perdeu as pernas na explosão de minas, que viu os filhos morrendo afogados...
Por que fico avó?
Qual o meu problema?
Mas é fato que ela fazia tudo parecer engraçado,
como o dia em que acendeu velinhelas no meu copo e no meu prato
e depois saiu dançando pela cozinha, com um pano nas mãos, cantando para mim.
Quando eu era pequeno, achava que ela era a pessoa mais feliz do mundo.
Eu ficava sentado horas a fio ouvindo as histórias que ela contava - sobre sua infância, e principalmente sobre os primeiros anos de casamento com meu avô.
Minha avó dava a impressão de saber por que a vida valia a pena,
e deixava qualquer um com vontade de ser como ela.
E é por isso que guardei absolutamente tudo que herdei dela - cadeiras, louças, abajures.
O forninho elétrico - e até um pedaço de papel-alumínio dobrado que ela usava para proteger a bandeja do forninho, com todas as suas marcas e manchas.
Já faz dez anos que mantenho o papel-alumínio dentro do forninho,
mesmo sabendo que ela iria brigar comigo por ser tão bobo.
Ela sempre tentava viver sem sentimentalismos - lembro que muitas vezes meu avô se aproximava dela e dizia "eu te amo", mas ela sempre desviava os olhos e não respondia nada.
Não que ela não amasse o meu avô...
Um dia, pouco antes da morte dele, ela chegou em casa depois de deixá-lo no hospital e sentou na varanda dos fundos com minha mãe.
Eu fiquei no meu quarto, com a cabeça encostada na porta, ouvindo o choro dela ecoar entre as casas...
Foi a primeira vez que ouvi minha avó chorar.
Depois que ele morreu, ela se desinteressou por várias coisas,
Especialmente a cozinha - e então ela passou a usar bastante o forninho.
Só que nos últimos tempos o papel-alumínio ficou realmente tão gasto, enrugado e furado que finalmente precisei tirar do forninho.
Alisei bastante com a mão e olhei bem para ele - estava um lixo.
Era ridículo que aquele objeto tivesse durado tanto...
E eu sabei exatamente o que ela teria dito: "Isso não presta mais para nada! Para que você quer guardá-lo?"
Era só um pedaço idiota de papel-alumínio...
Nem tinha mais nada a ver com ela.
Então eu me obriguei a amarrotar aquilo, e jogar fora.

- Ah, meu Deus...
- Por que fui fazer uma coisa dessas?

Minha querida avózinha faleceu hoje. Fiquei arrasado!! Já tinha lido esse texto na revista Piauí #45 do quadrinho do Chris Ware. Resolvi prestar essa homenagem a ela com esse texto que quase me faz chorar. 

Minuto de Junho

domingo, 13 de junho de 2010

Houve um instante... quase interminável,
Em que o segundo se arrasta,
E percebo cada movimento no piscar dos seus olhos,
Cintilantes e expressivos como estrelas em uma noite sem luar.
E as palavras ditas mal se fazem ouvir,
Pois só vejo os lábios se movendo bem devagar.
Quando passa o cabelo atrás da orelha,
Deixando visível parte de seu rosto,
Vejo sua fronte, e tudo parece quase parar
Quando sinto o perfume que me extasia.
Cada gesto fica gravado junto ao tom de sua voz.
Mas creio que ficará apenas nisso, nesses instantes.
Na minha lembrança, algo que poderia nunca terminar.
Que eu nunca quis que terminasse.
No tempo, na luz, no perfume e nesse instante tão longo,
Que acabou sem eu perceber.

Pirenópolis: Sem Comentários

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Quando tudo muda?

terça-feira, 25 de maio de 2010

E essa angústia que sinto no peito,
De que às vezes nada faz sentido.
Do tempo perdido, de tudo que faço sem rumo,
E dessa falta que tenho no coração,
Um vazio sem preencher que já não sei
O que fazer para acalmar esse pulsar.
Das paixões não correspondidas,
Que às vezes me encantam e logo me desapontam.
É tão bobo, às vezes, o jeito que me sinto.
Mas essa angústia de não saber o que fazer
Quase me consome.
Esse desequilíbrio em que me encontro,
E essa falta de entendimento desta vida tão complicada.
E as horas em claro, apenas pensando,
Tentando imaginar como seria cada instante em outra realidade,
Vendo o amor nascer, o instante se eternizar
E os problemas se tornarem simples.

Na fé

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Com fé construo e também desfaço,
Pois tudo nasce onde a crença enxerga.
Na noite fria, sob o céu esmaço,
Minha esperança à luz da vela enverga.

Se ao dia luto e enfrento o cansaço,
Vejo um amigo, cuja voz me enerva.
Ri dos problemas, segue o seu compasso,
Enquanto a vida a dor em mim reserva.

Mas quando a solidão vem me cercar,
Minha alma voa e, leve, se desprende,
E à fé renasce, pronta a me guiar.

É nela que meu peito se estende,
No dissabor que insiste em me tomar,
Só minha fé me salva e me defende.

Só parar

quarta-feira, 14 de abril de 2010

A todo instante, preciso parar,
Um pouco apenas, para respirar.
Parar de pensar, de sentir, de agir,
E simplesmente me permitir.

Parar de sentir, por um breve instante,
Deixar o riso seguir adiante.
Parar o trabalho, soltar a mão,
Para que não digam que sou capachão.

Paro às vezes só para olhar,
Ou quem sabe para me sentar.
E nessa pausa, sem me apressar,
Algo em mim começa a mudar.

Lembrança e Ausência

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Mesmo agora, com o tempo passado, me lembro.
Lembro de quem sou e que nada serei sem essa ao meu lado.
Meu lado agora vazio, inerte ao sentimento,
Imóvel às colisões de partículas no vento.

Lado esse que contempla e devota,
Tão sublime, ornado de louros e glória,
Cheia de luz, de graça e memória,
Pelas virtudes que a tornam tão nota.

Cada dia é mais necessária,
Dando sentido ao que já vacila,
Equilibrando o que se desfaz.

Mas no silêncio que se propaga,
Só resta a sombra que me habita,
E a ausência que ecoa em paz.

Waking Life #01

segunda-feira, 22 de março de 2010

Existem dois tipos de sofredores...
aqueles que sofrem da falta de vida...
e os que sofrem da abundância excessiva da vida.
Eu sempre me posicionei na segunda categoria.
Quando se pensa nisso, quase todo comportamento e atividade humana...
são, essencialmente, nada diferentes do comportamento animal.
As mais avançadas tecnologias e artefatos levam-nos, no máximo...
ao nível do super-chimpanzé.
Na verdade, o hiato entre Platão ou Nietzsche e o humano mediano...
é maior do que o que há entre o chimpanzé e o humano mediano.
O reino do verdadeiro espírito...
o artista verdadeiro, o santo, o filósofo, é raramente alcançado.

Por que tão poucos?
Por que a História e a evolução não são histórias de progresso...
mas uma interminável e fútil adição de zeros?
Nenhum valor maior se desenvolveu.
Ora, os gregos, há 3.000 anos, eram tão avançados quanto somos hoje.
Quais são as barreiras que impedem as pessoas...
de alcançarem, minimamente, o seu verdadeiro potencial?
A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é...
qual é a característica humana mais universal?
O medo...
ou a preguiça?


Esse dialogo foi tirado de um filme Waking Life. Sugiro ver  com paciência pronto para ver sua própria realidade.

Seja Como For

terça-feira, 16 de março de 2010

Seja como for, eu mudarei o caminho,
Que agora é escuro e sem direção.

Seja como for, a luz há de vir,
E ao me notar, entenderá minha aflição.

Seja lá como for, ou como será,
Nada disso me importa agora.
Quero um mundo renovado,
Minha alma lavada nas mãos do destino.

Quero notar a felicidade e não deixá-la partir.
E seja como for, serei feliz.
Quero enxergar meus erros a tempo,
Para aprender e me redimir.

Meus dias, perfumados com novos aromas.
Minhas noites, banhadas no bálsamo de um olhar.
Ser velado pelo amor,
E levado pelo sopro ardente da paixão.

Quero me apaixonar muitas vezes,
E, acima de tudo, pela vida.
Quero viajar por mil caminhos,
E descobrir melhor a mim mesmo.

Vivido, experiente e completo.
Seja como for... eu vou.

Soneto #2

quinta-feira, 4 de março de 2010

É estranho pensar que quase tudo passa
Como o tempo, que passa sem ninguém dar importância
Os instantes passados que agora pouco me afaga
Todo o pensamento que outrora era só sobre você.

Ainda penso, mas de forma saudosa e carinhosa
Mas, como passa a dor do pesar, do cair em desespero...
E a renovação do sentimento que agora está comedido.
Limpando as paredes da casa vazia para ser habitada novamente.

Coloco-me para frente e vejo o imediato
Não quero estar mordido e sentido
Quero estar sozinho, quero o meu vazio.

Para no vazio que está, crescer.
E desse sentimento sorver o imaculado de mim.
E entender o que ainda está por vir.

Águas de Março

terça-feira, 2 de março de 2010

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol

É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira

É o vento ventando, é o fim da ladeira

É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira

É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão

É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto

É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada

É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol

São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.

(Tom Jobim)




É o inicio do Ano. Quase que literalmente, depois de tanta festa de fim de ano e carnaval. E após esse calor enorme vem o friozinho aqui no Rio de Janeiro. Triste!! Por que as vezes nesse frio todo a gente sente falta de estar com alguém que se aquecer e ver algum filme bobo na televisão. Mas são as águas de março fechando o verão, É a promessa de vida no "meu" coração.