Existem dois tipos de sofredores...
aqueles que sofrem da falta de vida...
e os que sofrem da abundância excessiva da vida.
Eu sempre me posicionei na segunda categoria.
Quando se pensa nisso, quase todo comportamento e atividade humana...
são, essencialmente, nada diferentes do comportamento animal.
As mais avançadas tecnologias e artefatos levam-nos, no máximo...
ao nível do super-chimpanzé.
Na verdade, o hiato entre Platão ou Nietzsche e o humano mediano...
é maior do que o que há entre o chimpanzé e o humano mediano.
O reino do verdadeiro espírito...
o artista verdadeiro, o santo, o filósofo, é raramente alcançado.
Por que tão poucos?
Por que a História e a evolução não são histórias de progresso...
mas uma interminável e fútil adição de zeros?
Nenhum valor maior se desenvolveu.
Ora, os gregos, há 3.000 anos, eram tão avançados quanto somos hoje.
Quais são as barreiras que impedem as pessoas...
de alcançarem, minimamente, o seu verdadeiro potencial?
A resposta a isso pode ser encontrada em outra pergunta, que é...
qual é a característica humana mais universal?
O medo...
ou a preguiça?
Esse dialogo foi tirado de um filme Waking Life. Sugiro ver com paciência pronto para ver sua própria realidade.
Waking Life #01
segunda-feira, 22 de março de 2010
Escrito por Ailton Nunes às segunda-feira, março 22, 2010 2 comentários
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Seja Como For
terça-feira, 16 de março de 2010
Seja como for, eu mudarei o caminho,
Que agora é escuro e sem direção.
Seja como for, a luz há de vir,
E ao me notar, entenderá minha aflição.
Seja lá como for, ou como será,
Nada disso me importa agora.
Quero um mundo renovado,
Minha alma lavada nas mãos do destino.
Quero notar a felicidade e não deixá-la partir.
E seja como for, serei feliz.
Quero enxergar meus erros a tempo,
Para aprender e me redimir.
Meus dias, perfumados com novos aromas.
Minhas noites, banhadas no bálsamo de um olhar.
Ser velado pelo amor,
E levado pelo sopro ardente da paixão.
Quero me apaixonar muitas vezes,
E, acima de tudo, pela vida.
Quero viajar por mil caminhos,
E descobrir melhor a mim mesmo.
Vivido, experiente e completo.
Seja como for... eu vou.
Escrito por Ailton Nunes às terça-feira, março 16, 2010 0 comentários
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Soneto #2
quinta-feira, 4 de março de 2010
É estranho pensar que quase tudo passa
Como o tempo, que passa sem ninguém dar importância
Os instantes passados que agora pouco me afaga
Todo o pensamento que outrora era só sobre você.
Ainda penso, mas de forma saudosa e carinhosa
Mas, como passa a dor do pesar, do cair em desespero...
E a renovação do sentimento que agora está comedido.
Limpando as paredes da casa vazia para ser habitada novamente.
Coloco-me para frente e vejo o imediato
Não quero estar mordido e sentido
Quero estar sozinho, quero o meu vazio.
Para no vazio que está, crescer.
E desse sentimento sorver o imaculado de mim.
E entender o que ainda está por vir.
Escrito por Ailton Nunes às quinta-feira, março 04, 2010 0 comentários
Águas de Março
terça-feira, 2 de março de 2010
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando, é uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão,
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
pau, pedra, fim, caminho
resto, toco, pouco, sozinho
caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração.
(Tom Jobim)
Escrito por Ailton Nunes às terça-feira, março 02, 2010 0 comentários
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